e que venham as dividas e com elas dúvidas
mais ainda Às dádivas
o amor quando é verdadeiro não se vende e nem se paga...
Jsimass
A vaidade vem e vai com a idade
Pra cidadão cidade
Há saudade pra quem não tem ninguém
A tristeza vai de jato
A alegria vem de trem
Do trapo fiz estandarte de minha arte
Nas tropas tropecei num Badulaque
Meu santo de carro buzina Amém...
Jsimass
Minha poesia errante
Só acerta quando erro setenta vezes sete
Com um pouco de sorte tudo se revele...
Jsimass
O silêncio rompe o vento
Tic, Tac, Tic...
Três passos e eu paro no tempo...
Jsimass
Ainda nem bem amanhecia e ela já tomava o primeiro coletivo de volta pra casa, seus olhos ainda recheavam de pranto aquele olhar tão pitorescamente desenhado. Ela via que tudo o que sentia não passava de um mal entendido, mas ainda assim sentia a necessidade de checar se estava tudo nos conformes. Primeiramente, sentiu se os seus lábios ainda estavam untados com a saliva dele e em seguida abriu os braços, como que para estreitar o abraço dele novamente, nada voltava de forma tão simples como antes, nem tão metricamente escrita em versos loucos, só o vento vazio que lhe lambia a fronte. O que ela queria mesmo era tocá-lo novamente, não somente com o olhar, mas desta vez com as firmes fontes do seu desejo tão lancinante, ela tinha nisso uma manifestação vital de um que chega à beira do outro sem sussurrar-lhe palavras em seu cangote, sorvendo o suor ainda quente de sua sanidade.
Finalmente chegou à porta de casa, parecia não reconhecer aquele casebre onde vivera outrora feliz e preenchida, queria se negar à vida como se fosse algo tão desprezível aquilo que ela planejara tão friamente e que não passara de seus humildes planos, foi quando se deu conta que já estava enrolada em sua cama de casal com um só travesseiro e uma toalha de banho pendurada na cabeceira, ainda meio umedecida e seu corpo desfalecido parecia suplicar expiação, mas ela detinha a retina fixa em um só ponto e apesar de não está pensando em nada, a não ser o que ela tinha a dizer pra si própria, tudo lhe parecia girar mais rápido do que o de costume, fitou o peixe laranja com algumas manchas pretas ao qual atribuíam o nome de “peixe japonês”, na verdade sempre se questionara acerca da origem desse nome, pois se ele era japonês por que tinha olhos tão arregalados que brilhavam intensamente, ela só o chamava simplesmente de “peixe”. Ela viu dentro daquele aquário o seu destino: passar o resto de sua vida trancada ali naquele quarto que agora seria o seu aquário sepulcral, não sentia mais vontade de nada, nem de fumar, nem de deitar, nem de beber e nem de foder, só queria ficar ali fitando aquele aquário de um só peixe chamado “peixe”. Nem tudo fez muito sentido a ela, mas não precisava fazer sentido, precisava apenas sentir e ela sentia muito a falta do outro travesseiro que dava acesso direto ao cheiro do cabelo encrespado dele, mas ele não estava mais ali, era preciso esquecê-lo de uma vez por todas. A única alternativa que lhe restava era a de ficar ali vislumbrado suas lembranças e seus escritos de dias perdidos, como que esperando alguma coisa de inevitável franqueza acontecer, ela não sabia se esperava a morte ou se tecia uma mortalha para o seu próprio sonho fúnebre. Não, ela precisava mesmo era de uma garrafa de vidro, pois estava decidida a enviar o relato de seus últimos dias ali.
tanta idéia torpe. Como que para ganhar tempo ela deu uma leve piscadela de olhos só para sentir o olhar dele naquele último momento. Tentava se ater em qualquer coisa que a fizesse anestesiar suas vontades, mas a dor de cabeça e as náuseas ainda não cessaram por completo e de súbito subia aquele liquido amargo de horas idas, só para rememorar também os sons de risadas, gente se esfregando, roçando os fios de seus... Enfim, deitava tudo ao encerrasse o monólogo por ali mesmo. Dirigiu-se até à cozinha, olhou em volta e contemplou a pia cheia de louças de mais ou menos uma semana, uma barata passeava por entre uma xícara de porcelana que tentava imitar uma daquelas caríssimas peças francesas, mas não passava de imitação barata, e estava lambuzada de algum liquido marrom ou preto (não dava pra distinguir muito bem, pois parecia que já estava ali há muito tempo). Abriu a geladeira e contemplou o incontemplável, a fome guardada em baixa temperatura pra conservar a miséria. Nas prateleiras gélidas ela não conseguiu, sequer encontrar forças pra pensar que tudo aquilo era somente por causa dele, maldito! Ela se retirou dali, seu estomago só não reclamava mais que seus pensamentos mórbidos. Não! Definitivamente ela não precisava alimentar aquela matéria já sem forma, era preciso se desfazer disso tudo e para isso um só ato de coragem, mas ela nunca foi lá muito corajosa, talvez não se resumisse a um ato de coragem, mas sim de uma chance e estava bem ali à sua frente e brilhava como aquela estrela diurna que pesava no céu de todos os nossos dias e ela ainda tinha vontade de saber se ele iria se importar. Pouco importava agora, só resta uma saída e uma entrada, mas pra onde ela quer ir e que respostas procura? Ainda resta alguma coisa normal em olhos fixos e seios caídos, ao menos tentava se conter com isso era o pouco que restava daquele dia de suor frio e quente sol. Ela odiava gatos, no entanto criava um e sempre se ria de si, pois nunca entendia o que a movia pra lados tão sem moeda e sem coroas. O seu destino estava ali e a contemplava e fazia um convite: -quer que eu te encontre dentro de ti?- ela não entendia por quê estava conversando com aquele punhal e por quê realmente fazia sentido o que ele dizia. De certo é que ela se aproximou e viu reluzir toda sua angustia em suas respostas, ir para onde? Fazer o quê? Talvez fosse culpa dele, ou dela, ou de ninguém, ou dos astros, ou da tela que pinta o que nela passa, uma novela mexicana e barata; faça-me o favor! Por que os leites mais caros vêem das vacas mais feias. Ela ainda sentia o amargo do cafezinho, e por mais que ela tentasse e pusesse açúcar ainda sim seria inevitável, pois os cafés servidos em velório são temperados com dor, amargura e saudade, o retorno é sempre complicado e a dor de está só num lado que ninguém entende é o supra-sumo da vida... chão de uma só vez como se estivesse ainda com o mesmo entusiasmo que outrora encontrara para beber. Só que desta vez com mais ressalvas, pois sabia que a qualquer hora poderia sucumbir às
encerrasse o monólogo por ali mesmo. Dirigiu-se até à cozinha, olhou em volta e contemplou a pia cheia de louças de mais ou menos uma semana, uma barata passeava por entre uma xícara de porcelana que tentava imitar uma daquelas caríssimas peças francesas, mas não passava de imitação barata, e estava lambuzada de algum liquido marrom ou preto (não dava pra distinguir muito bem, pois parecia que já estava ali há muito tempo). Abriu a geladeira e contemplou o incontemplável, a fome guardada em baixa temperatura pra conservar a miséria. Nas prateleiras gélidas ela não conseguiu, sequer encontrar forças pra pensar que tudo aquilo era somente por causa dele, maldito! Ela se retirou dali, seu estomago só não reclamava mais que seus pensamentos mórbidos. Não! Definitivamente ela não precisava alimentar aquela matéria já sem forma, era preciso se desfazer disso tudo e para isso um só ato de coragem, mas ela nunca foi lá muito corajosa, talvez não se resumisse a um ato de coragem, mas sim de uma chance e estava bem ali à sua frente e brilhava como aquela estrela diurna que pesava no céu de todos os nossos dias e ela ainda tinha vontade de saber se ele iria se importar. Pouco importava agora, só resta uma saída e uma entrada, mas pra onde ela quer ir e que respostas procura? Ainda resta alguma coisa normal em olhos fixos e seios caídos, ao menos tentava se conter com isso era o pouco que restava daquele dia de suor frio e quente sol. Ela odiava gatos, no entanto criava um e sempre se ria de si, pois nunca entendia o que a movia pra lados tão sem moeda e sem coroas. O seu destino estava ali e a contemplava e fazia um convite: -quer que eu te encontre dentro de ti?- ela não entendia por quê estava conversando com aquele punhal e por quê realmente fazia sentido o que ele dizia. De certo é que ela se aproximou e viu reluzir toda sua angustia em suas respostas, ir para onde? Fazer o quê? Talvez fosse culpa dele, ou dela, ou de ninguém, ou dos astros, ou da tela que pinta o que nela passa, uma novela mexicana e barata; faça-me o favor! Por que os leites mais caros vêem das vacas mais feias. Ela ainda sentia o amargo do cafezinho, e por mais que ela tentasse e pusesse açúcar ainda sim seria inevitável, pois os cafés servidos em velório são temperados com dor, amargura e saudade, o retorno é sempre complicado e a dor de está só num lado que ninguém entende é o supra-sumo da vida...
Num canto vazio há um aviso de que um dia algo esteve por lá, e só...
jsimass
As palavras-chave abrem os poemas fechados
as coisas ditas adiam o ditado do calado
quem reza lança rosas aos rasos da alma...
Para Isabell
Tirar do ar a água
da língua a palavra
do beijo a boca
de tu, a roupa...
Jsimass
Doença metafisica
Eu sou do Ente
Então me dêem logos um xarope-existentiale...
João Simas
[Na aula de filosofia do ser]
Distúrbio
Um dos maiores escritores da atualidade fez uma declaração única essa tarde
Diz Túrbio:
- Todo poeta tem um louco aos pucos de si
O risco da ligua
[depois de uma noite à flor da pele, "você me faz parecer menos pó"]
Quem tem novelos faz nuvens de lã lá fora
Faz frio, frases feitas e um resto de tinto na mesa
Torça, taça, força, peça, passa a posse adiante
Antes de mais nada, tudo
Antes de cantar conte as horas do verbo conjugar
Julguei o jugo, juízo de valor
Vasos, flores e cascos
Cascas e vozes, verão e vorus
A arte come o tédio pelas beiras
Eu tenho sorte só de um sol em lá
Soletrar o que restou da palavra amar
Como diz o atleta:
- Correr faz bem, mas quem amou soube a hora certa do trem.
E deixou ele passar, ai saudade!...
João Simas
Um diz:
- como vai?
O outro responde:
- VOu indo, mas volto...
João Simas