luto na lata


20/09/2005



Para Emanuelle Maia

Ela parou, já não tinha o que beber e como não tinha o que beber sorveu o pecado nos lábios nus de cada um a goles roucos. Vida! Já não a sentia só, também sentia um engulho lhe perfurando o contratempo na garganta ainda úmida, que sem necessidade nenhuma proferia palavras que se atropelavam num frêmito destino de línguas e lábios silenciados pelo tempo que ela bebia, agora a goles poucos, e como bebia! Ela realmente sabia beber, só não sabia o porquê disso, mas quem é que sabe? Por um acaso ele sabe? Pobre Rosa o teu cravo estava à hora exata para a flor prometida, mas ambos estavam no jardim errado, e o jardineiro os trancou para sufocarem ao ar de uma outra qualquer. Eu soube acolher os teus murmúrios mancos de flancos secos nos momentos que os momentos te levavam à deriva e te regavam a samba e tulipas transbordantes. Senti a tua alma naquela lagrima escorregadia que te atravessava a face por lados ainda escondidos de teus anseios de noites vermelhas.
Vagas agora por luas que não sabes o que se assemelha às quimeras de dois que andam a sós, não faças da noite um motivo para acordar sem dias. Por um acaso já viu o show que é um “dia” morrendo? Mas este só morre porque tem a certeza que outro em longo de olhos tempos vem logo e às vezes não vem mesmo e só resta a esses dormir... 
    Jéssica Simas

Escrito por João Simas às 16h23
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Noite de São Marçal

Subia mais alto que todos ali presentes
Sabia que o céu era só um limite colorido de tons azuis e virgens tons brancos
À noite,
Ainda brilhava mais
Subia, subia...

Chegava lá em cima, era o mais alto que podia alcançar àquela noite
E como não tinha mais pra onde subir,
Decidiu explodir...

Tudo aquilo que havia dentro de mim não passava de suas dores e floretes
Era noite de São Marçal
Que bom que tudo aquilo não passava de um foguete
E eu posso continuar em suas mãos
Do jeito que sempre fui:
Um joguete...
(João Simas)

Escrito por João Simas às 16h21
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19/09/2005


O poeta não é aquele que sonha
Não é aquele que nasce
é somente aquele que soofre

Ele não esquece...

Aquele que impunha o papel e o cinzel,
Cinzas ao chão
Pois esquece o cinzeiro
Fala ligeiro,
Assinala ao léo
Litros e litros de sua inútil bebedeira...
(João Simas)

Escrito por João Simas às 10h32
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Cabelos crescem

Se as idéias merecem um só fio de loucura cumprida

Ainda assim,

A tesoura é inevitável...

                         João Simas

Escrito por João Simas às 10h30
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