Para Emanuelle Maia
Ela parou, já não tinha o que beber e como não tinha o que beber sorveu o pecado nos lábios nus de cada um a goles roucos. Vida! Já não a sentia só, também sentia um engulho lhe perfurando o contratempo na garganta ainda úmida, que sem necessidade nenhuma proferia palavras que se atropelavam num frêmito destino de línguas e lábios silenciados pelo tempo que ela bebia, agora a goles poucos, e como bebia! Ela realmente sabia beber, só não sabia o porquê disso, mas quem é que sabe? Por um acaso ele sabe? Pobre Rosa o teu cravo estava à hora exata para a flor prometida, mas ambos estavam no jardim errado, e o jardineiro os trancou para sufocarem ao ar de uma outra qualquer. Eu soube acolher os teus murmúrios mancos de flancos secos nos momentos que os momentos te levavam à deriva e te regavam a samba e tulipas transbordantes. Senti a tua alma naquela lagrima escorregadia que te atravessava a face por lados ainda escondidos de teus anseios de noites vermelhas.
Vagas agora por luas que não sabes o que se assemelha às quimeras de dois que andam a sós, não faças da noite um motivo para acordar sem dias. Por um acaso já viu o show que é um “dia” morrendo? Mas este só morre porque tem a certeza que outro em longo de olhos tempos vem logo e às vezes não vem mesmo e só resta a esses dormir...
Jéssica Simas


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