luto na lata


06/01/2006


A maré que vaza vaselina

Escorrega macio sob a lama de um terreno baldio sem cara e coragem

sem cor e pêlos pelas beiras

Um viva à nossa bandeira

que festeja onde esteja tremula ao som do primeiro membro ereto

Que haja passe e posse,

que haja um teto como testemunha e morada

Que fuja das rugas o rosto tão amado que bebe do suco amargo em dias e hemisférios...

                                                                                                                 João Simas

Escrito por João Simas às 16h01
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01/01/2006


Seco seio salgado da certa mulher

Vida de fundo sublinhas

Violas sem mundo de minhas meninas

Azul é o céu das aves que buscam o sul

Sou super legal

Esperanças em linhas tortas

 

Viajo o mundo inteiro sem sair de mim

Vou ter com os anjos,

Demônios de todos os santos

Centenas de quilômetros...

 

Garrafas vazias,

Vida vazia,

Suco de muco enfermo,

 

O inferno interno de cada um em busca de mais um dia de carnaval...

                                                                                                                      João Simas

 

Escrito por João Simas às 13h43
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Aquarela shoping

                        Para Stefani Lee

 

É dia...

Mas ela continua pintando meninos verdes...

É de “a”que se escreve até breve

É de noite que se escreve um no outro o corpo inerte...

Edie Murphy é um cara legal,

Mas acho que ela não gosta muito dos filmes dele

 

Espero,

Enterro,

Venero

E até que Nero queime o rato que roeu a roupa do rei de Roma

E coloque fogo na cama da dona da trama

Serei só música e taças trincadas por vinhos ditosos

Que ela vez ou outra sorve

 

É noite...

Ela agora pinta sóis brocados,

Os mesmos meninos verdes,

As flores quadráticas

E o dia desfigurado...

 

Pinta!

Absorve tinta!

Obedece a voz extinta!

Vê! Que tudo não passa de instinto?

 

Sempre que eu te rabiscar em tons azuis é porque o mundo parou de girar

Só para assegurar a gravitação dos teus sonhos pitorescos...

 

É dia de novo...

Ela pega o cinzel e apaga tudo...

                                               (João Simas)

 

Escrito por João Simas às 13h38
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Já pensei em parar e já parei de pensar,

Mas sempre algo me escreve em linhas tortas nas portas do quarto dia de janeiro...

                                                                                                                João Simas

Ps:.Aff! ainda tô respirando, só não sei até quando. 

                                                                                                               

Escrito por João Simas às 13h31
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Carrego cruzes como quem carrega luzes de outros sabores

Fraquejo ao som da primeira toada

Fico esmo no mesmo “vinte e quatro hora”de sempre

Espero o teu cenho reluzir a primeira estrela

Fecho a janela e apago os desejos em teu cabelo cor de fogo

Rezo, faço figa pro meu orixá

Canto coro de tambor em samba de roda

 

To vivo por fora como quem espera o amém

To morta por dentro como quem perde o aquém

Se for na praia eu não mordo, mas também não choro...

 

                                                                       (João Simas)

Escrito por João Simas às 13h27
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