luto na lata


17/06/2006


Uma outra história (ou o samba homérico)

Na meia palavra vazia
No teu vestido rodado
Pra que serve uma curva na filosofia
No meio pulso estacionado
No meio meu mesmo verso
Versátil versei
Vassalo, volátil
Susserano serei
Muitas vezes eu sentia o teu gemido ao pé do ouvido
Da boca pra fora chora
Outrora acordas

e o herói ficou só
sua garganta deu um nó
quando caiu seu Cavalo de Tróia
agora sua amada chora
agora me conte outra história

Entre pedras e Penélopes Ulisses fez de sua a odisséia sua única lei
Entre as pernas de sua mãe Édipo foi filho merido e rei
Muitas vezes eu sentia o teu gemido ao pé do ouvido
Da boca pra fora chora
Outrora acordas

e o herói ficou só
sua garganta deu um nó
quando caiu seu Cavalo de Tróia
agora sua amada chora
agora me conte outra história...

 '  João Simas

mais uma letra de música que em breve estará gravada

Escrito por João Simas às 15h12
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No ônibus, 03:20h AM, 16/06/2006

o tempo, o acaso, o ócio
o que mais tem no atraso que não cabe num relógio?...

      João Simas

Escrito por João Simas às 15h03
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15/06/2006


O mesmo sopro que carrega navios pelos quatro cantos do mundo
Também ele silência a chama de uma simples vela acesa a todo custo
Me leva junto do teu barco, rente a proa
Voltamos aos dez minutos
Mas um sopro sabe ser vendaval se assim o desejar...
                        João Simas

Escrito por João Simas às 10h15
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ele sempre se achou o ser mais indigno de todos por conta de sua fealdade
até que um dia passando por uma vitrine se deparou com a imagem do mais perfeito ser que a natureza pôde conceber
e a beleza era tão colossal que ele não pôde perceber que confundira o espelho de uma loja qualquer com aquilo que julgava por uma simples vitrine
e ficou ali durante muito tempo até que os ossos também se contemplaram,
ficou assim por dizer, da mesma maneira que Narciso, no entanto nunca descobriu quem era por detras do próprio semblante...
             Jsimas

Escrito por João Simas às 10h14
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14/06/2006


Um sorriso é sempre um canto desconhecido

É sempre amarelo

É sempre amargo

É sempre um sorriso que é sempre esguio

Dois são sorrisos são piores que uma nação inteira sorrindo

São cúmplices, fingidos

E um diz pro outro:

- quando crescer quero ser sorriso e nada mais

Uma lágrima conta mais que um canto desconhecido de um sorriso

É transparente e está só por um fio

E a qualquer momento vê-se o rio ocular transbordar em silêncio o vazio

Uma come rédea da dor

A outra a tragédia do labor

 

                        Circus falidus

 

Contemplo o riso triste do palhaço vendo o circo pegando fogo

A bailarina trapezista ainda não se acostumou a ver o mundo do chão

Vive trocando os pés pelas mãos

Chutaram o pau da barraca

Borroca na arena

E o malabarista repete sempre a mesma cena

Faz malabares com o que restou do mastro da tenda

O maestro adestra os macacos a pedirem esmola

Enquanto uns jogam bola com bolhas de sabão

Outros imploram pela misericórdia do fracasso

Nem Pablo, aquele, o Picasso

            [nem deus nem o diabo]

Pintaria tamanha destruição

O circo faliu, por quê o mundo parou?

O circo faliu, por quem o mundo parou?

O circo faliu porque o mundo parou de sorrir...

 

                                                                       (João Simas)

essa é a minha mais nova música que eu vou dedicar especialmente a pessoa que postou um comentário anônimo na minha última postagem, valeu mesmo pela força, mas da próxima vez vc pode se identificar :)

Escrito por João Simas às 01h48
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